Busca por primeiro imóvel deve marcar retomada da construção

Busca por primeiro imóvel deve marcar retomada da construção

Considerando que o pior da crise já passou, empresários da construção civil já esboçam otimismo e esperam atingir um ponto de inflexão em 2017. A retomada do mercado, no entanto, deve acontecer só em 2018. A expectativa é que o segmento residencial seja o primeiro a voltar, enquanto alguns nichos do comercial podem demorar até um ano.

De acordo com o economista-chefe do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Celso Petrucci, a habitação ainda é uma necessidade básica e, se levarmos em consideração o indicador de casamentos e divórcios, o percentual da população com idade propícia para adquirir um imóvel, o volume de pessoas que ainda moram em aluguel e o déficit habitacional, a demanda ainda é muito grande. “É um mercado de primeira necessidade. Já os outros segmentos apresentarão sinais de melhora alguns trimestres depois ou até um ano. Os comerciais dependem da melhora da economia para que as empresas busquem um local maior”, explicou o executivo ontem durante a Convenção Secovi-SP, realizada em São Paulo (SP).

Para ele, as saletas e os escritórios devem ser as primeiras deste nicho a se recuperar, uma vez que um simples sinal de retomada da economia poderá incentivar a abertura de novos negócios. Já no caso dos shopping centers, a volta é mais incerta. “Primeiro é necessário preencher os que já estão construídos”, explicou, fazendo menção ao alto volume de inaugurações vista nos últimos anos.
Segundo o vice-presidente de gestão patrimonial e locação do Secovi-SP, Rolando Mifano, o segmento de locação também deve ver uma recuperação. Para ele, o mercado é cíclico e o mais provável é que os preços dos aluguéis sejam reajustados novamente em três ou quatro anos ao valor de mercado. “Atualmente, vemos muitos imóveis vazios e preços caindo.”

É um mercado de primeira necessidade. Já os outros segmentos apresentarão sinais de melhora alguns trimestres depois ou até um ano. Os comerciais dependem da melhora da economia para que as empresas busquem um local maior

Distratos – Apesar de depender do aquecimento econômico, ainda existem fatores que desaceleram o setor, como a falta de regras para os distratos. No segundo trimestre, entidades do setor e órgãos de defesa do consumidor tentaram criar um pacto que estabelecia regras mais claras. “Mas no âmbito da Câmara, o teor do pacto não nos agradou e agora está suspenso”, disse o vice-presidente de intermediação imobiliária e marketing do Secovi-SP, Flávio Prando.

Segundo ele, um dos principais pontos que devem ser revistos é o momento da restituição, que hoje ocorre no período de construção. “Deveria ser após a conclusão da obra, assim como alguns consórcios. Se não, no momento que a empresa tem que devolver mexe no patrimônio de afetação [colocando a obra em risco]”, diz.

Outra questão que deve ser revista para aquecer o setor é função do corretor de imóveis. Prando acha que com o aumento dos portais on-line e a disponibilidade de informações, o corretor deve deixar de ser apenas um meio de conseguir informação e passar a oferecer formação. “Ao longo do tempo, reduziu-se a quantidade de dados que o cliente precise da gente”, relata. Por isso, uma forma de conseguir chegar ao consumidor é tornando o corretor uma fonte de conhecimento sobre o mercado, para que possa oferecer dados mais analíticos como a possibilidade de valorização do imóvel.

Além disso, o executivo aponta a importância do crédito imobiliário. “Nos últimos anos, a valorização dos imóveis foi de 3,6 vezes, enquanto o salário mínimo cresceu 3,3 vezes e o salário médio entre 2 e 2,5 vezes”, diz. Para ele, o aumento do custo da obra criou uma defasagem entre o poder de compra e o preço do imóvel e isso deve ser suprido com o crédito imobiliário. “É importante que ele faça parte da compra”, complementa.

Já para o vice-presidente de Habitação Econômica do Secovi-SP, Rodrigo Luna, outro fator que deve ser debatido é a segurança jurídica. Segundo o executivo, a burocracia (taxas, impostos e licenças) tem assustado o investidor estrangeiro. Como exemplo, ele cita o caso de uma obra que foi embargada, mesmo com grande parte dos apartamentos vendidos, criando um prejuízo de R$ 100 milhões para o investidor. “Ele já disse que não quer mais fazer negócios no Brasil”, aponta. Luna ainda mencionou que até obras já construídas têm sido revisadas.

Nos últimos anos, a valorização dos imóveis foi de 3,6 vezes, enquanto o salário mínimo cresceu 3,3 vezes e o salário médio entre 2 e 2,5 vezes

Sinais de mudança – O Imovelweb também aponta perspectivas positivas para o futuro do mercado imobiliário. Segundo o Índice Imovelweb Index realizado pelo portal, em julho, o valor médio do metro quadrado (m²) dos imóveis anunciados no site para venda registraram um aumento de 0,6% na capital paulista. Segundo o indicador, é possível dizer que o valor dos imóveis apresentou um leve aumento de 0,5% entre janeiro e julho, com o valor subindo para R$ 5.989,00 na capital paulista. “Esse aumento no período de julho sinaliza que o cenário está em recuperação”, apontou o CEO do Imovelweb, Mateo Cuadras. Para ele, a expectativa para o segundo semestre já é positiva.

Ainda de acordo com o indicador, a Zona Oeste é a mais cara da cidade, custando cerca de R$ 8,2 mil o m². Em seguida estão o centro-sul (R$ 8 mil) e o centro (R$ 7,6 mil). A zona leste foi a que apresentou um custo mais baixo, de R$ 4,6 mil o m².

Fonte: DCI, Economia, 31/08/2016